PROF. CAETANO: UM PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO QUE DEIXOU MARCAS EM NANUQUE NO SÉCULO XX

 Pensador, educador, líder comunitário e vereador

 

Caetano em dois momentos: em 1970, aos 50 anos, quando se elegeu vereador, e no início dos anos 1990

Por Ademir Jr.


De tempos em tempos, a gente depara com textos que começam assim: “Se vivo estivesse, fulano de tal teria completado ‘x’ anos [normalmente, mais de 100] no dia tal...”

 

Repetirei o lugar-comum aqui para falar de Caetano Abreu Leite, o Professor Caetano, que, se ainda em nosso convívio, estaria com nada menos que 106 anos, completados dia 10 de fevereiro. Caetano foi figura emblemática da educação na segunda metade do século XX, atuou como líder comunitário, consultor político e vereador – um intelectual dos tempos modernos. Seu falecimento aconteceu dia 9 de março de 1993, aos 73 anos. Daí por diante, permaneceu na mente e nos corações como Professor Caetano.

 

INTELIGÊNCIA PLURAL


Em Nanuque, ontem e hoje, nunca foi um fato muito comum um profissional da educação se eleger vereador, mas Caetano conseguiu, e se revelou um verdadeiro pilar na construção da identidade educacional e social de Nanuque, deixando um legado eterno de dedicação e conhecimento.

 

Nascido na cidade baiana de Rio de Contas, no sudoeste da Chapada Diamantina, a quase 800 quilômetros de Nanuque, em 1920, Caetano veio para cá em 1956, aos 36 anos, e, sem demora, transformou sua vocação para o ensino em uma missão de vida que impactou gerações inteiras ao longo de mais de três décadas de magistério.

 

Homem de inteligência plural, Caetano desbravou o cenário educacional da cidade. Desde as primeiras aulas particulares até ingressar na rede de ensino, ele abriu portas para o futuro profissional de centenas de jovens, sendo o grande responsável pela formação da base contábil do Município.

 

SALA DE AULA, CADEIRA NA CÂMARA MUNICIPAL


Sua capacidade técnica e versatilidade eram tamanhas que transitava com maestria entre os números da Matemática e a fluência do Inglês, fórmulas de Física e noções teóricas de Eletrônica, além de demonstrar um compromisso raro ao assumir salas de aula sempre que necessário, para que nenhum aluno ficasse com tempo ocioso.

 

Em marco 1964, foi admitido no Colégio Santo Antônio; dois anos depois, foi entusiasta da primeira escola profissionalizante de Nanuque, que formou dezenas de contadores. Nos anos 1980, já no final de carreira, ainda ensinava Matemática, Física e aulas de Eletrônica.

 

Sua bagagem foi reconhecida de forma singular ao se tornar um dos raros intelectuais locais a lecionar na prestigiada Fundação Percival Farquhar (FPF), rompendo barreiras em uma época em que boa parte do corpo docente vinha de fora. A FPF foi  frequentemente associada à sigla FAFI devido à criação de Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras sob sua tutela e de suas parceiras no Leste de Minas Gerais. O organismo expandiu seu raio de atuação para municípios polo, como Nanuque, permitindo a instalação de cursos de nível superior.

 

Além da sala de aula, Professor Caetano demonstrou sua visão de progresso também na infraestrutura local, trabalhando na famosa Companhia Telefônica de Nanuque (Cotena), empresa que administrou a telefonia local e os planos de expansão urbana e interurbana entre os anos 1950 e 1980, quando foi oficialmente doada e integrada à estatal estadual Telemig (Telecomunicações de Minas Gerais), que posteriormente assumiu e modernizou todo o sistema de comunicações.

 

DINAMISMO


Caetano também doou seu tempo e liderança a causas humanitárias no Rotary Clube. Convidado e estimulado por amigos, levou sua integridade e espírito público para a política, elegendo-se com honra ao cargo de vereador no pleito de 1970, quando Milton Pacheco ganhou a disputa de prefeito. Caetano Abreu Leite fez parte da Câmara durante sua 7ª Legislatura, entre 31 de janeiro de 1971 e 30 de janeiro de 1973.

 

Foi casado com a sra. Ambrosina Viana Leite, com quem teve dez filhos, quatro nascidos em Nanuque.

 

A partida do Professor Caetano Abreu Leite deixou uma imensa lacuna na história de Nanuque. Mais do que um educador ou um político, ele foi um arquiteto de sonhos, um exemplo de cidadania e um farol de sabedoria cuja memória continua a inspirar orgulho e profunda gratidão no coração de todos os nanuquenses

 

Duas décadas depois, seu nome foi homenageado com nome de uma rua no bairro Espírito Santo, conhecido como CAIC, na região sudoeste da cidade. (💻 Texto: Prof. Ademir Jr., ex-aluno entre 1980 e 1982 no Colégio Santo Antônio; filho do radialista, publicitário e técnico em eletrônica Ademir Rodrigues, falecido em 2003, amigo e contemporâneo de Caetano. Informações gentilmente cedidas pelo advogado Christiano Ricardo Leite, ex-aluno de Ademir Jr.) 

 

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